MENSAGEM

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sábado, 27 de setembro de 2014

ÊXODO

INTRODUÇÃO

Autor: Moisés

Tema: A Redenção

Data:  cerca de 1445 - 1405 a.C.


           Considerações Preliminares
Êxodo dá continuidade à narrativa iniciada em Gênesis. O título do livro, deriva da palavra grega exodos (título empregado na Septuaginta, a tradução do AT em grego), que significa "saída" a "partida." Refere-se à poderosa libertação de Israel, efetuada por Deus, tirando-o da escravidão do Egito, e à sua partida da quela terra, como povo de Deus.
Dois pontos relacionados com o livro de Êxodo têm causado muita controvérsia a data do êxodo de Israel ao sair do Egito e a autoria do dito livro. (1) Duas datas diferentes para o êxodo são propostas pelos eruditos. (a) Uma "data recuada" (também chamada a data bíblica), derivada de 1 Reis 6.1, onde está dito que o êxodo ocorreu 480 anos antes do quarto ano do reinado de Salomão. Esta declaração estabelece a data do êxodo em 1445 a.C. Por outro lado, em Juízes 11.26, Jefté  (cerca de 1100 a.C.) afirma que Israel ocupara sua própria terra já há 300 anos, o que permite datar a conquista de Canaã, assim a conquista fica datada em aproximadamente 1400 a.C. Essa cronologia do êxodo a da conquista de Canaã e a do período dos juízes encaixam-se bem nos eventos datáveis da história dos três primeiros reis de Israel (Saul, Davi e Salomão). (b) Os críticos liberais da Bíblia propõem uma "data posterior" para êxodo, em cerca de 1290 a.C., com base em suposições a respeito dos governantes egípcios, bem como uma data arqueológica do século XIII a.C. sobre a destruição de cidades cananéias durante a conquista de Canaã.
(2) Há também discordância entre os eruditos bíblicos conservadores e liberais, no tocante à autoria mosaica do livro de Êxodo. (a) Intérpretes modernos geralmente consideram o livro como uma obra conjunta, preparada por vários escritores e completada num período da história de Israel muito posterior aos tempos de Moisés (a chamada teoria JEDP). (b) Por outro lado, a tradição judaica desde os tempos de Jesué (Js 8.31-35), bem como o testemunho de Jesus (cf. MC 12.26), do cristianismo primitivo, e da erudição conservadora contemporânea, todos atribuem a Moisés a origem do livro (ver a introdução a Deuteronômio). Além disso, a evidência interna do livro apóia a autoria de Moisés. Pormenores numerosos em Êxodo indicam que o autor foi testemunha ocular dois eventos registrados no livro (e.g., 2.12; 9.31,32; 15.27). Além disso, trechos do próprio livro dão testemunho da participação direta de Moisés na sua escrita (e.g., 17.14; 24.4; 34.27).

           Propósito
Êxodo foi escrito para que tivéssemos um registro permanente dos atos históricos e redentores de Deus, pelos quais Israel foi liberto do Egito e organizado como a sua nação escolhida. Pelos mesmos atos divinos, Israel também recebeu a revelação escrita, do concerto entre Deus e aquela nação. Também foi escrito como um elo extremamente importante da auto-revelação geral e progressiva de Deus, que culminou na pessoa de Jesus Cristo e no NT.

           Visão Panorâmica
O livro de Êxodo começa com a descrição do sofrimento dos descendentes de Jacó no Egito, a saber: opressão, escravidão e infanticídio, e termina com a presença, o poder e a glória de Deus manifestos no Tabernáculo, no meio do seu povo já liberto, no deserto. Êxodo divide-se em três seções principais. (A) Os caps. 1 - 14 revelam Israel no Egito, oprimido por um faraó que não conhecia José, e Deus então redimiu Israel "com braço estendido e com juízos grandes" (6.6). Entre os eventos portentosos dessa parte da história de Israel, estão: (1) o nascimento de Moisés, sua preservação e preparação (cap. 2); (2) a chamada de Moisés na sarça ardente (3 - 4); (3) as dez pragas (7 - 12); (4) a Páscoa  (cap. 12) e (5) a travessia do mar Vermelho (13 - 14).
O êxodo de Israel para fora do Egito é declarado em todo o AT como a mais grandiosa experiência de redenção do velho concerto. (B) Os caps. 16 - 18 descreve Israel no Deserto, a caminho do monte Sinai. Deus guiou seu povo redimido por meio de uma nuvem e uma coluna de fogo e proveu maná, codornizes e água, exercitando assim seus redimidos a andar pela fé e pela obediência. (C) Os caps. 19 - 40 registram Israel no monte Sinai, recebendo de Deus a revelação que abarcou (1) o concerto (cap. 19, (2) o decálogo (cap. 20) e (3) o Tabernáculo e o sacerdócio (25 - 31). O livro termina com o Tabernáculo inaugurado e transbordante da glória de Deus (cap. 40).

           Características Especiais
Cinco características distinguem Êxodo. (1) As circunstâncias históricas do nascimento de Israel como nação. (2) O decálogo. i.e., os dez mandamentos (cap. 20), que é a suma feita por Deus da sua lei moral e das suas justas exigências para o seu povo. Nela, temos o fundamento da ética e da moralidade bíblica. (3) É o livro do AT que mais destaca a graça redentora e o poder de Deus em ação. Em termos do AT. Êxodo descreve o caráter sobrenatural de libertação que Deus efetuou do seu povo, livrando-o do perigo e da escravidão do pecado, de Satanás e do mundo. (4) O livro inteiro está repleto da revelação majestosa de Deus, como (a) glorioso nos seus atributos, (veraz, misericordioso, fiel, santo e onipotente); (b) Senhor da história e dos reis poderosos; (c) o Redentor que faz um concerto com os seus redimidos; (d) justo e reto, assim revelado na sua lei moral e nos seus juízos e (e) digno da adoração reverente, como o Deus transcendente que desce para "tabernacular" com o seu povo, i.e., habitar com o seu povo (cf. Jo 1.14 no gr.). (5) Êxodo enfatiza o "como?", "o quê?" e o "por quê?" do verdadeiro culto que deve seguir-se à redenção que Deus efetua dos seus.

           O Livro de Êxodo e Seu Cumprimento no NT
A prefiguração da redenção que temos no novo pacto, e evidente em todo o livro de Êxodo. A primeira Páscoa, a travessia do mar Vermelho e a outorga da lei no monte Sinai são, para o velho concerto, aquilo que a vida, morte e ressurreição de Jesus, e a outorga do Espírito Santo no Pentecoste, são para o novo concerto. Os tipos de Êxodo que prenunciam Cristo e a redenção no NT são: (1) Moisés, (2) a Páscoa, (3) a travessia do mar Vermelho, (4) o maná, (5) a rocha e a água, (6) O Tabernáculo, e (7) o sumo sacerdote. As exigências morais absolutas dos dez mandamentos são repetidas no NT, para os crentes do novo concerto.

Fonte: SBB 1995

Até breve, querendo Deus!

domingo, 14 de setembro de 2014

2 CORÍNTIOS

INTRODUÇÃO

Auto : Paulo
Tema: Glória Através do Sofrimento
Data  : 55/56 d. C.

            Considerações Preliminares
Paulo escreveu esta epístola à igreja de Corinto e aos crentes de toda a Acaia (1.1), identificando-se duas vezes pelo nome (1.1; 10.1). Tendo Paulo fundado a igreja em Corinto, durante sua segunda viagem missionária, manteve contato frequente  com os coríntios a partir de então, por causa dos problemas daquela igreja (ver a introdução a 1 Coríntios). 
A sequência desses contatos e o contexto em que 2 Coríntios foi escrito são os seguintes: (1) Depois de alguns contatos e correspondência inicial entre Paulo e a igreja (e.g. 1 Co 1.1;59; 7.1_. ele escreveu 1 Coríntios. de Éfeso, (primavera de 55 d.C.). (2) Em seguida, ele fez uma viagem a Corinto, cruzando o mar Egeu, para tratar de problemas surgido na igreja. Essa visita, no período entre 1 e 2 Coríntios (cf. 13.1,2), foi espinhosa para Paulo e para a congregação (2. 1,2). (3) Depois dessa visita afonosa, informes chegaram a Paulo em Éfeso de que seus adversários estavam atacando a sua autoridade apostólica em Corinto, tentando persuadir uma parte da igreja a rejeitá-lo. (4) Respondendo. Paulo escreveu 2 Coríntios, na Macedônia (outono de 55 ou 56 d.C.). (5) Pouco depois, Paulo viajou outra vez a Corinto (13.1), permanecendo ali cerca de três meses (cf. At 20.1-3 a). Foi ali que escreveu a Epístola aos Romanos.

            Propósito 
Paulo escreveu esta epístola a três classes de pessoas em Corinto. (1) Primeiro, escreveu para encorajar a maioria da igreja que lhe era fiel, como seu pai espiritual. (2) Escreveu para contestar e desmascarar os falsos apóstolos que continuavam a difamá-lo, para, assim, enfraquecer a sua autoridade e o seu apostolado, e distorcer a sua mensagem. (3) Escreveu, também, para repreender a minoria na igreja influenciada por seus oponentes e que não acatavam a sua autoridade e correção. Paulo reafirmou sua integridade e sua autoridade apostólica em relação a eles, esclareceu os seus motivos e os advertiu contra novas rebeliões. 2 Coríntios visou a preparar a igreja como um todo, para sua visita iminente.

            Visão Panorâmica 
2 Coríntios tem três divisões principais. (1) Na primeira (1 - 7). Paulo começa dando graças a Deus pela sua consolação em meio aos sofrimentos em prol do evangelho, elogia os coríntios por disciplinarem um grande transgressor e defende a sua integridade ao alterar seus planos de viagem. Em 3.1 - 6.10. Paulo apresenta o mais extenso ensino do NT sobre o verdadeiro caráter do ministério. Ressalta a importância da separação do mundo (6.11 - 7.1) e expressa sua  alegria ao saber, através de Tito, do arrependimento de muitos na igreja de Corinto, que antes desacatavam a sua autoridade apostólica (7). (2) Nos caps. 8 e 9. Paulo exorta os coríntios a demostrar a mesma generosidade cristã e sincera dos macedônios, ao contribuírem na campanha por ele dirigida, a favor dos crentes pobres de Jerusalém. (3) O estilo da epístola muda nos caps. 10 - 13. Agora. Paulo defende o seu apostolado, discorrendo sobre  a sua chamada, qualificações e sofrimentos como um verdadeiro apóstolo. Com isso, Paulo espera que os coríntios reconheçam os falsos apóstolos entre eles, o que os poupará de futura disciplina quando ele lá chegar. Paulo termina 2 Coríntios com a única bênção trinitária no NT (13.14).

            Características Especiais
Quatro fatos principais caracterizam esta epístola. (1) É a mais autobiográfica das epístolas de Paulo. Suas muitas referências pessoais são feitas com humildade, desculpas e até mesmo constrangimento, mas foi necessário, tendo em vista a situação em Corinto. (2) Ultrapassa todas as demais epístolas paulinas no que tange à revelação da intensidade e profundidade do amor e cuidado de Paulo por seus filhos espirituais. (3) Contém a mais completa teologia do NT sobre o sofrimento do crente (1.3-11; 4.7-18; 6.3-10; 11.23-30; 12.1-10), e de igual modo, sobre a contribuição cristã (8 - 9). (4) Termos-chaves, tais como fraqueza, aflição, lágrimas, perigos, tribulação, sofrimento, consolação, jactância, verdade, ministério e glória, destacam o conteúdo incomparável desta carta.

Fonte: SBB 1995

Até breve querendo Deus!        
            




quarta-feira, 10 de setembro de 2014

1 CORÍNTIOS

INTRODUÇÃO

Autor:  Paulo
Tema:  Problemas da Igreja e Suas Soluções
Data  : 55/56 d.C.  


            Considerações Preliminares
Corinto, uma cidade antiga da Grécia, era, em muitos aspectos, a metrópole grega de maior destaque nos tempos de Paulo. Assim como muitas das cidades prósperas do mundo de hoje. Corinto era intelectualmente arrogante, materialmente próspera e moralmente corrupta. O pecado, em todas as suas formas, grassava nessa cidade de má fama, pela sua licenciosidade. 
Juntamente com Prisca e Áquila (16.19) e com sua própria equipe apostólica (At 18.5), Paulo fundou a igreja em Corinto, durante seu ministério de dezoito meses ali, na sua segunda viagem missionária (At 18.1-17). A igreja era composta dalguns judeus, sendo sua maioria constituída de gentios convertidos do paganismo. Depois da partida de Paulo de Corinto, surgiram vários problemas na jovem igreja, que requereram sua autoridade e doutrina apostólica, por carta e visitas pessoais.
A primeira epístola aos Coríntios foi escrita durante seu ministério de três anos em Éfeso (At 20.31), na sua terceira viagem missionária (At 18.23 - 21.16). Paulo soube em Éfeso dos problemas de Corinto (1.11); depois, uma delegação da congregação em Corinto (16.17) entregou uma carta a Paulo, em que lhe pediam instruções sobre vários assuntos (7.1; cf. 8.1; 12.1; 16.1). Paulo escreveu esta epístola tendo em vista os informes ouvidos e a correspondência recebida daquela igreja.

            Propósito
Paulo tinha dois motivos principais ao escrever esta epístola: (1) Tratar dos sérios problemas da igreja de Corinto, de que fora informado. Eram pecados que os coríntios não levavam muito a sério, mas que Paulo sabia serem graves. (2) Aconselhar e doutrinar sobre variados assuntos que os corintos lhe encaminharam por escrito. Isso incluía assuntos doutrinários e de conduta e pureza, tanto individual, como da congregação.

            Visão Panorâmica
Esta epístola trata dos problemas que uma igreja experimenta quando seus membros continua "carnais" (3.1-3) e não se separam de uma vez, dos incrédulos a seu redor (2 Corintios 6.17). São problemas tipo espírito de divisão (1.10-13; 11.17-22), tolerância de pecado tipo incerto (5.1-13), imoralidade sexual em geral (6.12-20), ação judicial entre os cristãos (6.1-11), idéias humanistas a respeito da verdade apostólica (15) e conflitos a respeito da "liberdade de cristã" (8;10). Paulo também instrui os coríntios a respeito do celibato e do casamento (7), o culto público, inclusive a Ceia do Senhor (11 - 14) e a oferta para os santos de Jerusalém (16. 1-4).
Entre os ensinos mais importantes de Paulo em 1 Coríntios, está o das manifestações e dons do Espírito Santo nos cultos da igreja (12 - 14). O ensino desses capítulos é o mais rico do NT sobre a natureza e o conteúdo da adoração na igreja primitiva (14. 26-33). Paulo mostra que o propósito de Deus para a igreja inclui uma rica variedade de dons do Espírito através de crentes fiéis (2 .4-10) e de pessoas chamadas para exercer certos ministérios (12. 28-30) - uma diversidade dentro da unidade, comparável às múltiplas funções do corpo humano (12. 12-27). No da operação dos dons espirituais na congregação, Paulo faz uma distinção essencial entre a edificação individual e a coletiva como assembléia (14.2-6, 12, 16-19,26), e reitera que todas as manifestações públicas dos dons devem brotar do amor (13) e existirem para a edificação de todos os crentes (12. 7; 14. 4-6,26).

            Características Especiais
Cinco características especiais vemos em 1 Coríntios. (1) De todo o NT, é a epístola que mais trata de problemas. Ao tratar dos vários problemas e assuntos de Corinto. Paulo apresenta princípios espirituais  claros e permanentes, sendo cada um deles universalmente aplicáveis à igreja (e.g. 1.10; 6.17,20; 7.7; 10. 24-27; 10.31,32; 14.1-10; 15.22,23). (2) Há um destaque geral sobre a unidade da igreja local como de Cristo, destaque este no ensino sobre divisões. Ceia do Senhor e dons espirituais. (3) Esta epístola contém o mais amplo ensino do NT em assuntos de grande importância como o celibato, o casamento e novo casamento (7); a Ceia do Senhor (10.16-21; 11.17-34); línguas, profecias e a ressurreição do corpo (15). (4). A epístola é de valor incalculável para o ministério pastoral, no tocante à disciplina eclesiástica (cap. 5). (5) Salienta a possibilidade indubitável de decair da fé, aqueles que persistem numa conduta ímpia e que não têm firmeza em Cristo (6.9,10; 9.24-27; 10.5-12,20,21; 15.1-2).

Fonte: SBB 1995

Até breve querendo Deus!
    

domingo, 7 de setembro de 2014

ROMANO

Autor: Paulo
Tema: A Revelação da Justiça de Deus
Data:  Cerca de 57 d.C.

           Considerações Preliminares
Romanos é a epístola de Paulo mais longa, mais teológica e mais influente. Talvez por essas razões foi colocada em primeiro lugar entre as do apóstolo. De modo contrário à tradição católica romana, a igreja de Roma não foi fundada por Pedro, nem por qualquer outro apóstolo. Ela talvez foi iniciada por convertidos de Paulo provenientes da Macedônia e da Ásia, bem como pelos judeus e prosélitos convertidos no dia de Pentecoste (Atos 2.10). Paulo não tinha Roma como campo específico de outro apóstolo (15.20).
Em Romano, Paulo afirma que muitas vezes planejou ir até Roma para ali pregar o evangelho, mas que, até então fora impedido (1.13-15; 15.22). Reafirma seu desejo de ir até eles (15.23-24). Paulo, ao escrever esta epístola, perto do fim da sua terceira viagem missionária (cf. 15.25,26; Atos 20.2,3; 1 Co 16.5,6), estava em Corinto como hóspede na casa de Gaio (16.23; 1 Co 1.14). Enquanto escrevia Romanos através do seu auxiliar Tércio (16.22), planejava voltar a Jerusalém para o dia de Pentecoste (At 20.16; provavelmente na primeira de 57 ou 58 d.C.) e entregar pessoalmente uma oferta de socorro das igrejas gentios aos crentes pobres de Jerusalém (15.25-27). Logo a seguir, Paulo esperava partir para a Espanha levando-lhe o evangelho, visitar de passagem a igreja de Roma e receber ajuda dos crentes ali para prosseguir em sua caminhada para o oeste (15.24,28).

           Propósito
Paulo escreveu esta carta a fim de preparar o caminho para a obra que ele esperava realizar em Roma e na sua missão prevista para a Espanha. (1) Seu propósito era duplo. Segundo parece, os romanos tinham ouvido boatos falsos a respeito da mensagem e da teologia de Paulo (e.g., 3.8; 6.1,2,15); daí ele achar necessário registrar por escrito o evangelho que já pregava há vinte e cinco anos. (2) Queria corrigir certos problemas da igreja, causados por atitudes erradas dos judeus para com os gentios (e.g., 2.4-29; 3.1,9), e dos gentios para com os judeus (e.g.,11.11-32).

           Visão Panorâmica
O tema de Romanos está em 1.16,17, a saber; que no Senhor Jesus a justiça de Deus é revelada como a solução à sua justa ira contra o pecado. A seguir, Paulo expõe as verdades fundamentais do evangelho. Primeiro, destaca o fato de que o problema do pecado e a necessidade humana da justificação são universais (1.18 - 3.20). Posto que tanto os Judeus quanto os gentios estão sujeitos ao pecado e, portanto, sob a ira de Deus, ninguém pode ser justificado diante dEle à parte do dom da justiça (3.24) mediante a fé em Jesus Cristo (3.21 - 4.25).
Sendo justificado generosamente pela graça de Deus, e tendo recebido a certeza da salvação (cap. 5), o crente demonstra que recebeu o dom divino da justificação, ao morrer com Cristo para o pecado (cap. 6); é liberto da luta com a justiça da lei (cap. 7), e é adotado como filho de Deus, recebendo nova vida segundo o Espírito, o que o conduz à glorificação (8.18-30). Deus está levando a efeito o seu plano da redenção, a despeito da incredulidade de Israel (9-11).
Finalmente, Paulo declara que uma vida transformada em Cristo resulta na prática da retidão e do amor em todos os aspectos da vida social, civil e moral da pessoa (12-14). Paulo termina Romanos expondo seus planos pessoais (cap. 15), uma longa lista de saudações pessoais, uma última admoestação e uma doxologia (cap. 16).

           Características Especiais
Sete destaques principais caracterizam Romanos. (1) Romanos é a mais sistemática epístola de Paulo; a epístola teológica por excelência do NT. (2) Paulo escreve num estilo de pergunta-e-resposta, ou de diálogo (e.g., 3.1,4-6,9,31). (3) Paulo usa amplamente o AT como a autoridade bíblica na apresentação da verdadeira natureza do evangelho. (4) Paulo apresenta "a justiça de Deus" como a revelação fundamental do evangelho (1.16,17); Deus restaura e ordena a situação do homem em Jesus Cristo e através dEle. (5) Paulo focaliza a natureza dupla do pecado, bem como a provisão de Deus em Cristo para cada aspecto: (a) o pecado como uma transgressão pessoal (1.1 - 5.11) e o pecado como um princípio ou lei (e.g., he hamartia), i.e., a tendência natural e inerente para pecar, existente no coração de toda pessoa,  desde a queda da Adão (5.12 - 8.39). (6) O capítulo 8 é o mais longo da Bíblia sobre a obra do Espírito Santo na vida do crente. (7) Romanos contém o estudo mais profundo da Bíblia sobre a rejeição de Cristo pelos judeus (excetuando-se um remanescente), bem como sobre o plano divino-redentor para todos, alcançando por fim Israel (9-11). 

Fonte: SBB 1995

Até breve querendo Deus!

domingo, 31 de agosto de 2014

ATOS

Autor: Lucas
Tema: A Propagação Triunfal do Evangelho pelo Poder do Espírito Santo
Data:  Cerca de 63 d.C. 


           Considerações Preliminares
O livro de Atos, e de igual modo e Evangelho segundo Lucas, é endereçado a um homem chamado "Teófilo" (1.1). Embora nenhum dos livros identifique nominalmente o autor, o testemunho unânime do cristianismo primitivo e a evidência interna confirmatória dos dois livros denotam que ambos foram escritos por Lucas, "o médico amado" (Cl 4.14).  
O Espírito Santo inspirou Lucas a escrever a Teófilo a fim de suprir na igreja a necessidade de um relato completo dos primórdios do cristianismo. (1) "O primeiro tratado" foi seu Evangelho a respeito da vida de Jesus, e  (2) o segundo foi seu relato, em Atos, sobre o derramamento do Espírito em Jerusalém e sobre o crescimento da igreja primitiva. Torna-se claro que Lucas era um escritor habilidoso, um historiador consciente e um teólogo inspirado.
Atos abrange, de modo seletivo, os primeiros trinta anos da história da igreja. Como historiador eclesiástico. Lucas descreve, em Atos, a propagação do evangelho, partindo de Jerusalém até Roma. Ele menciona nada menos que 32 países. 54 cidades, 9 ilhas do Mediterrâneo, 95 diferentes pessoas e uma variedade de membros e funcionários do governo com seus títulos precisos. A arquelogia continua a admirável exatidão de Lucas em todos os seus pormenores. Como teólogo, Lucas descreve com habilidade a relevância de várias experiências e eventos dos primeiros anos da igreja.
Na sua fase inicial, as Escrituras do NT consistiam em duas coletâneas: (1) os quatro Evangelhos, e (2) as Epístolas de Paulo. Atos desempenhou um papel substancial como elo de ligação entre as duas coletâneas, e faz jus à posição que ocupa no cânon. Nos caps. 13 - 28, temos o acervo histórico necessário para bem compreendermos o ministério e as cartas de Paulo. O pronome "nós", empregado por Lucas através de Atos (16.10-17; 20.5 - 21.18; 27.1 - 28.16), aponta-o como estando presente nas viagens de Paulo.

            Propósito
Lucas tem pelo menos dois propósitos ao narrar os começos da igreja. (1) Demonstra que o evangelho avançou triunfalmente das fronteiras estreitas do judaísmo para o mundo gentio, apesar da oposição e perseguição. (2) Revela a missão do Espírito Santo na vida e no papel da igreja e enfatiza o batismo e a dar continuidade ao ministério de Jesus. Lucas registra três vezes, expressamente, o fato de o batismo mo Espírito Santo ser acompanhado de enunciação em outras línguas (2.1-4.; 10.44-47; 19.1-6). O contexto destas passagens mostra que isto era normal no princípio da igreja, e que é o padrão permanente de Deus para ela.

            Visão Panorâmica 
Enquanto o Evangelho segundo Lucas relata "tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar" (1.1). Atos descreve o que Jesus continuou a fazer e a ensinar depois de sua ascensão, mediante o poder do Espírito Santo, operando em, e através dos seus discípulos e da igreja primitiva. Ao ascender ao céu (1.9-11), a última ordem de Jesus aos discípulos foi para que permanecessem em Jerusalém até que fossem batizados no Espírito Santo (1.4,5). O versículo-chave de Atos (1.8) contém um resumo teológico e geográfico do livro: Jesus promete aos discípulos que receberão poder quando o Espírito Santo vier sobre eles; poder para serem suas testemunhas (1) em Jerusalém (1 - 7), (2) em toda a Judéia e Samaria (8 - 12) e (3) até aos confins da terra (13 - 28).
Nos caps. 1 - 12, o centro principal irradiador da igreja é Jerusalém. Aqui, Pedro é o mais destacado instrumento usado por Deus para pregar o evangelho. Nos caps. 13 - 28, o centro principal de irradiação passou a ser Antioquia da Síria, onde o instrumento de maior realce nas mãos de Deus foi Paulo para levar o evangelho aos gentios. O livro de Atos termina de modo repentino com Paulo em Roma aguardando julgamento perante César. Mesmo com o resultado do referido julgamento ainda pendente, o livro termina de modo triunfante, estando Paulo prisioneiro, porém cheio de ânimo e sem impedimento para pregar e ensinar acerca do reino de Deus e do Senhor Jesus (28.31).

            Características Especiais   
Nove principais destaques assinalam o livro de Atos (1) igreja. Atos revela a origem do poder da igreja e a verdadeira natureza da sua missão, juntamente com os princípios que devem norteá-la em todas as gerações. (2) O Espírito Santo. A terceira pessoa da Trindade é mencionada cinquenta vezes; o batismo no Espírito Santo e o seu ministério outorgam poder (1.8), ousadia (4.31), santo temor a Deus (5.3,5,11), sabedoria (6.3,10), direção (16.6-10), e dons espirituais (19.6). (3) mensagem da igreja primitiva. Lucas relata com habilidade os ensinos inspirados de Pedro. Estevão, Paulo, Tiago, e outros, apresentado assim um quadro da igreja primitiva não encontrado noutro lugar do NT. (4) Oração. Os cristãos primitivos dedicavam-se às orações com regularidade e fervor, que, às vezes, duravam a noite inteira, produzindo resultados maravilhosos. (5) Sinais, maravilhas e milagres. Estas manifestações acompanhavam a proclamação do evangelho no poder do Espírito Santo. (6) Perseguição. A ordem judaica/gentia. Do começo ao fim de Atos, o evangelho alcança primeiro os judeus e, depois, os gentios. (8) As mulheres. Há menção especial às mulheres dedicadas à obra continua da igreja. (9) Triunfo. Barreira alguma nacional, religiosa, cultural, ou racial, nem oposição ou perseguição puderam impedir o avanço do evangelho.

            Principio Hermenêutico
Há quem considere o conteúdo do livro de Atos como se pertencesse a uma outra era bíblica e não como o padrão divino para a igreja e seu testemunho durante todo o período que o NT chama de "últimos dias" (cf. 2.17 nota). O livro de Atos não é simplesmente um compêndio de história da igreja primitiva; é o padrão perene para a vida cristão e para qualquer congregação cheia do Espírito Santo.
Os crentes devem desejar, buscar e esperar, como norma para a igreja atual, todos os fatos vistos no ministério e na experiência da igreja do NT (exceto a redação de novos livros para o NT). Esses fatos são evidentes quando a igreja vive na plenitude do poder do Espírito Santo. Nada, em Atos e no restante do NT, indica que os sinais, maravilhas, milagres, dons espirituais ou o padrão apostólico para a vida e o ministério da igreja cessariam, repentina ou de uma vez, no fim da era apostólica.      

Fonte: SBB 1995

Até breve querendo Deus!

1 PEDRO

Autor: Pedro
Tema: Sofrimento por Amor a Cristo
Data: Cerca de 60-63 d.C.

           Considerações Preliminares
Esta é a primeira de duas cartas no NT escritas pelo apóstolo Pedro (1.1; 2 Pe 1.1 ). Ele testifica que escreveu sua primeira carta com a ajuda de Silvano (cuja forma contracta em grego é Silas), como seu escriba (5.12). O grego fluente de Silvano e seu estilo literário aparecem aqui, enquanto que, possivelmente, o grego menos esmerado de Pedro apareça na sua segunda epístola. O tom e o conteúdo de 1 Pedro combinam com o que sabemos a respeito de Simão Pedro. Os anos que viveu em estreito convívio com o Senhor Jesus estão implícitos nas suas referências à morte de Jesus (1.11,19; 2.21-24; 3.18; 5.1) e à sua ressurreição (1.3,21; 3.21). Indiretamente, ele parece referir-se  inclusive, às ocasiões em que Jesus lhe apareceu na Galiléia, depois da ressurreição (2.25; 5.2a; cf. Jo 21.15-23). Além disso, muitas semelhanças ocorrem entre esta carta e os sermões de Pedro registrados em Atos.
Pedro dirige esta carta aos "estrangeiros dispersos" nas províncias romanas da Ásia Menor (1.1). Alguns destes, talvez hajam se convertido no dia de Pentecoste, ao ouvirem a mensagem de Pedro, e retornaram às suas respectivas cidades levando a fé que acabavam de conhecer (cf. At. 2.9,10). Estes crentes são chamados "peregrinos e forasteiros" (2.11), relembrando-lhes, assim, que a peregrinação cristã ocorre num mundo hostil a Jesus Cristo; mundo este, do qual só podem esperar perseguição. É provável que Pedro escreveu esta carta em resposta a informes dos crentes da Ásia Menor sobre a crescente oposição a eles (4.12-16), ainda sem consentimento do governo (2.12-17).
Pedro escreveu de "Babilônia" (5.13). Isto pode referir-se literalmente à cidade de Babilônia. na Mesopotâmia, ou pode ser uma expressão figurada referente a Roma, o centro principal de oposição a Deus, no século primeiro. Embora Pedro possa ter visitado alguma vez a grande colônia de Judeus ortodoxos em Babilônia, é mais consentâneo entender, aqui, a presença de Pedro, Silas (5.12) e Marcos (5.13), juntos em Roma (Cl 4.10; cf. os comentários de Pápias a respeito de Pedro e Marcos em Roma), no começo da década de 60 e 63 d.C., certamente antes do terrível banho de sangue em Roma, ordenado por Nero (64 d.C.).

           Propósito
Pedro escreveu  esta espístola de alegre esperança a fim de levar o crente a ver a perspectiva divina e eterna da sua vida terrestre e prover orientação prática aos cristãos que se encontravam sob o fogo do sofrimento entre os pagãos. O cuidado de Pedro visava a evitar que os crentes não perturbassem, sem necessidade, o governo, e sim seguissem o exemplo de Jesus no sofrimento, sendo inocente, mas portando-se com retidão e dignidade.

           Visão Panorâmica
1 Pedro começa lembrando os leitores (1) de que têm uma vocação gloriosa e uma herança celestial em Jesus Cristo (1.2-5), (2) de que sua fé e amor nesta vida estarão sujeitos a provas e purificação e que isso resultará em louvor, glória e honra na vinda do Senhor (1.6-9), (3) de que essa grande salvação foi predita pelos profetas do AT (1.10-12), e (4) de que o crente deve viver uma vida santa, bem diferente do mundo ímpio ao seu redor (1.13-21). Os crentes, escolhidos e santificados (1.2), são crianças em crescimento que precisam do puro leite da Palavra (2.1-3), são pedras vivas em que estão sendo edificadas como casa espiritual (2.4-10) e peregrinos, caminhando em terra estranha (2.11,12); devem viver de modo honroso e humilde no seu trato com todas as pessoas durante a sua peregrinação aqui (2.13 - 3.12).
A mensagem preeminente de 1 Pedro diz respeito à submissão e a sofrer, perseverando na retidão, por amor a Cristo, de conformidade com o próprio exemplo dEle (2.18-24; 3.9 - 5.11). Pedro assegura aos fiéis que eles obterão o favor e a recompensa de Deus ao sofrerem por causa da justiça. No contexto desse ensino do sofrimento por Cristo, Pedro ressalta os temas conexos da salvação, da esperança, do amor, da fé, da santidade, da humildade, do temor a Deus, da obediência e da submissão.

           Características Especiais 
Cinco características principais vemos nesta epístola. (1) Juntamente com Hebreus e Apocalipse, sua mensagem gira em torno dos crentes sob a perspectiva de severa perseguição, por pertencerem a Jesus Cristo (2) Mais do que qualquer outra epístola do NT, contém instruções sobre o comportamento do cristão ante à perseguição e ao sofrimento injustos (3.9 - 5.11). (3) Pedro destaca a verdade de que o crente é estrangeiro e peregrino na terra (1.1; 2.11). (4) Muitos dos títulos do povo de Deus no AT são aplicados aos crentes do NT (e.g., 2.5,9,10). (5) Contém um dos trechos do NT de mui difícil interpretação: quando, onde e como Jesus "pregou aos espíritos em prisão, os quais em outro tempo foram rebeldes...nos dias de Noé" (3.19,20).

Fonte: SBB 1995
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Até breve querendo Deus!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Isaías

Isaías 2


1
A glória futura de Israel Visão que Isaías, filho de Amoz, teve a respeito de Judá e de Jerusalém.
2
Acontecerá nos últimos dias que o monte do templo do SENHOR se firmará como o mais elevado e será estabelecido como o mais alto dos montes, e todas as nações correrão para ele.
3
Muitos povos irão e dirão: Vinde e subamos ao monte do SENHOR, ao templo do Deus de Jacó, para que ele nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas. Porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do SENHOR.
4
Ele julgará entre as nações e será juiz entre muitos povos; e estes converterão as suas espadas em lâminas de arado, e as suas lanças, em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.
5
Vinde e andemos na luz do SENHOR, ó casa de Jacó.
6
O dia do Senhor Tu rejeitaste o teu povo, a linhagem de Jacó, porque ele está cheio de feitiçaria que vem do leste, pratica adivinhações como os filisteus e faz aliança com os filhos dos estrangeiros.
7
A sua terra está cheia de prata e ouro, e seus tesouros são inesgotáveis; a sua terra está cheia de cavalos, e os seus carros são incontáveis.
8
Sua terra também está cheia de ídolos; inclinam-se diante da obra das suas mãos, diante do que os seus dedos fabricaram.
9
Assim, a humanidade é abatida, e o homem é humilhado; não os perdoes!
10
Entra nas rochas e esconde-te debaixo da terra, diante da presença aterrorizante do SENHOR e da glória da sua majestade.
11
Os olhos arrogantes do homem serão abatidos, e a sua arrogância será humilhada, e só o SENHOR será exaltado naquele dia.
12
Pois o dia do SENHOR dos Exércitos será contra todo orgulhoso e arrogante, contra todo o que se exalta, para que seja abatido;
13
contra todos os cedros do Líbano, altos e elevados; contra todos os carvalhos de Basã;
14
contra todas as montanhas altas e contra todos os montes elevados;
15
contra toda torre alta e contra todo muro fortificado;
16
contra todos os navios de Társis e contra toda embarcação vistosa.
17
A arrogância do homem será humilhada, e o orgulho humano será abatido, e só o SENHOR será exaltado naquele dia.
18
E os ídolos desaparecerão por completo.
19
Então os homens se esconderão nas cavernas das rochas e nas covas da terra, por causa da presença aterrorizante do SENHOR e da glória da sua majestade, quando ele se levantar para amedrontar a terra.
20
Naquele dia, os homens lançarão às toupeiras e aos morcegos os seus ídolos de prata e os seus ídolos de ouro, que fizeram para adorar,
21
e se refugiarão nas cavernas das rochas, e nas brechas dos penhascos, por causa da presença aterrorizante do SENHOR e da glória da sua majestade, quando ele se levantar para amedrontar a terra.
22
Não confieis mais no homem, cuja vida é um sopro; pois qual é o seu valor?


Até breve querendo Deus!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Lamentações 3

Lamentações 3

1 Eu sou aquele homem que viu a aflição pela vara do seu furor.
2 Ele me guiou e me fez andar em trevas e não na luz.
3 Deveras fez virar e revirar a sua mão contra mim o dia todo.
4 Fez envelhecer a minha carne e a minha pele, quebrou os meus ossos.
5 Edificou contra mim, e me cercou de fel e trabalho.
6 Assentou-me em lugares tenebrosos, como os que estavam mortos há muito.
7 Cercou-me de uma sebe, e não posso sair; agravou os meus grilhões.
8 Ainda quando clamo e grito, ele exclui a minha oração.
9 Fechou os meus caminhos com pedras lavradas, fez tortuosas as minhas veredas.
10 Fez-se-me como urso de emboscada, um leão em esconderijos.
11 Desviou os meus caminhos, e fez-me em pedaços; deixou-me assolado.
12 Armou o seu arco, e me pôs como alvo à flecha.
13 Fez entrar nos meus rins as flechas da sua aljava.
14 Fui feito um objeto de escárnio para todo o meu povo, e a sua canção todo o dia.
15 Fartou-me de amarguras, embriagou-me de absinto.
16 Quebrou com cascalho os meus dentes, abaixou-me na cinza.
17 E afastaste da paz a minha alma; esqueci-me do bem.
18 Então disse eu: Já pereceu a minha força, como também a minha esperança no Senhor.
19 Lembra-te da minha aflição e do meu pranto, do absinto e do fel.
20 Minha alma certamente disto se lembra, e se abate dentro de mim.
21 Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei.
22 As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;
23 Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.
24 A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele.
25 Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca.
26 Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor.
27 Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade.
28 Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto Deus o pôs sobre ele.
29 Ponha a sua boca no pó; talvez ainda haja esperança.
30 Dê a sua face ao que o fere; farte-se de afronta.
31 Pois o Senhor não rejeitará para sempre.
32 Pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão, segundo a grandeza das suas misericórdias.
33 Porque não aflige nem entristece de bom grado aos filhos dos homens.
34 Pisar debaixo dos seus pés a todos os presos da terra,
35 Perverter o direito do homem perante a face do Altíssimo,
36 Subverter ao homem no seu pleito, não o veria o Senhor?
37 Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande?
38 Porventura da boca do Altíssimo não sai tanto o mal como o bem?
39 De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados.
40 Esquadrinhemos os nossos caminhos, e provemo-los, e voltemos para o Senhor.
41 Levantemos os nossos corações com as mãos para Deus nos céus, dizendo:
42 Nós transgredimos, e fomos rebeldes; por isso tu não perdoaste.
43 Cobriste-te de ira, e nos perseguiste; mataste, não perdoaste.
44 Cobriste-te de nuvens, para que não passe a nossa oração.
45 Como escória e refugo nos puseste no meio dos povos.
46 Todos os nossos inimigos abriram contra nós a sua boca.
47 Temor e laço vieram sobre nós, assolação e destruição.
48 Torrentes de água derramaram os meus olhos, por causa da destruição da filha do meu povo.
49 Os meus olhos choram, e não cessam, porque não há descanso,
50 Até que o Senhor atente e veja desde os céus.
51 Os meus olhos entristecem a minha alma, por causa de todas as filhas da minha cidade.
52 Como ave me caçam os que, sem causa, são meus inimigos.
53 Cortaram-me a vida na masmorra, e lançaram pedras sobre mim.
54 águas correram sobre a minha cabeça; eu disse: Estou cortado.
55 Invoquei o teu nome, Senhor, desde a mais profunda masmorra.
56 Ouviste a minha voz; não escondas o teu ouvido ao meu suspiro, ao meu clamor.
57 Tu te aproximaste no dia em que te invoquei; disseste: Não temas.
58 Pleiteaste, Senhor, as causas da minha alma, remiste a minha vida.
59 Viste, Senhor, a injustiça que me fizeram; julga a minha causa.
60 Viste toda a sua vingança, todos os seus pensamentos contra mim.
61 Ouviste a sua afronta, Senhor, todos os seus pensamentos contra mim,
62 Os lábios dos que se levantam contra mim e os seus desígnios me são contrários todo o dia.
63 Observa-os ao assentarem-se e ao levantarem-se; eu sou a sua música.
64 Tu lhes darás recompensa, Senhor, conforme a obra das suas mãos.
65 Tu lhes darás ânsia de coração, maldição tua sobre eles.
66 Na tua ira os perseguirás, e os destruirás de debaixo dos céus do Senhor.

Até breve querendo Deus!